Francisco Morato, 48 anos

Marcelo Cechettini, Prefeito de Francisco Morato.
Marcelo Cechettini, Prefeito de Francisco Morato.
Marcelo Cechettini, Prefeito de Francisco Morato.

No último dia 21, Francisco Morato comemorou seu 48º aniversário. A cidade conta atualmente, com cerca de 160 mil habitantes e amarga um dos piores IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) da Grande São Paulo. Parte da população segue abaixo da linha da pobreza, dependendo do poder público para praticamente todas as suas necessidades.  Esses são apenas alguns dos desafios que Marcelo Cechettini, eleito para o executivo municipal nas últimas eleições, irá enfrentar nos próximos 4 anos. Marcelo faz parte de uma nova classe de políticos. Com 48 anos, chega para administrar uma cidade com as finanças complicadas, além de um caos em todo o centro comercial, com obras inacabadas e uma população insatisfeita que creditou a ele, um voto de confiança na esperança de tirar a cidade deste triste cenário. Em menos de 10 anos, Cechettini é o terceiro prefeito da cidade, isso demonstra que a população anseia por mudanças. Nas eleições de 2012, o prefeito eleito, enfrentou 2 pesos-pesados da política local, Zezinho Bressane que buscava a reeleição e Andrea Pelizari, ex-prefeita. Com uma campanha limpa e baseada em bons projetos, Cechettini, sagrou-se campeão de votos, obtendo ampla vantagem sobre seus adversários. Agora, à frente do executivo, Marcelo Cechettini, fala sobre as dificuldades, anseios e projetos para o povo moratense, e de como pretende mudar o cenário atual da cidade.

JPI – Prefeito Marcelo, qual foi a emoção de ser eleito? E como o senhor foi recebido pela classe política de toda a região?

Bom eu nasci em Franco da Rocha, cresci em Caieiras e passei a minha “maturidade” aqui em Francisco Morato. Todos os amigos que fiz por onde passei, ficaram muito felizes com a minha vitória nas eleições. Quanto à população, percebo que a cidade ficou durante muito tempo sem opções políticas, pois os candidatos que se alternavam à frente do executivo, já não representavam nada de novo, não traziam mais resultados para a cidade. Na minha opinião, para a mudança realmente acontecer, ela precisa vir de fora. Isso aconteceu com o Brasil quando abriu suas fronteiras, até então tudo era caro, não existia linhas telefônicas e novidades tecnológicas que apareciam em outros países, demoravam anos para chegar ao Brasil e quando chegavam, os preços eram para poucos. Quando o Brasil abriu as portas para a globalização, tudo mudou. Hoje temos acesso a todo tipo de tecnologia, celulares, automóveis, TVs de LCD. Hoje é assim, a livre iniciativa de mercado, oferta e procura. Voltando para nossa cidade, só fazendo um comparativo, Morato era muito fechada em dois grupos políticos que tinham uma política muito parecida. Eu acho que precisava dar uma chacoalhada e a população entendeu isso também. Tinha um irmão que era prefeito, e eu acabava acompanhando essa política regional, não diretamente porque eu não trabalhava com ele, mas fui percebendo como tudo era feito, os prefeitos se comunicam, conversam entre si, as vezes aconselhava  sobre uma coisa ou outra, enfim, eu acabei sentindo  o que estava acontecendo em Francisco Morato, local onde eu morava, ai acreditei que poderia contribuir, o povo também acreditou e eu fui eleito.

JPI – E o fato de os dois grupos políticos estarem com sua situação bastante complicada com a justiça, tanto o PSDB da Dra. Andrea Pelizari, quanto o PT de Zezinho Bressane. O senhor acredita que isso pode ter influenciado de alguma maneira para a  sua campanha?

Marcelo Cechettini – Não, não acredito nisso, até porque quando me lancei candidato, eu não sabia que os dois estariam impugnados, e saí para concorrer com os dois. Eu não tinha o conhecimento de que a candidatura de ambos ia ser cancelada, digamos assim. Eu sabia que eu tinha chance, porque a população estava cansada, eu sentia isso nas pessoas. Na verdade eu percebia que a população queria mudanças, e não teria isso nem com o Zezinho e nem com a Andrea, já que eles estavam ali há quase 20 anos, trocando posição. Eu senti isso, achei que eu poderia contribuir me lançando candidato e acho que o fato deles terem os processos, à uma certa altura da campanha  até me atrapalhou, já que nesse cenário, eu precisaria ter mais de 51% dos votos. Eu pretendo sair daqui sem processos, o que é quase impossível para um prefeito, uma vez que nossa situação é bastante complicada. Se o prefeito faz, ele sofre um processo, se ele não faz, também. Por exemplo, vou dar um exemplo prático, meu irmão, Márcio Cechettini, ex prefeito de Franco da Rocha, tem um processo porque contratou médicos sem o trâmite que teria que ser seguido, porém era uma emergência, se ele não tomasse essa atitude ele levava um processo por omissão, ou seja, ele fez o que era preciso e mesmo assim foi processado.

JPI – A região, não só Francisco Morato, sempre ficou estacionada entre dois grupos partidários, como aqui, que sempre se alternou entre PT e PSDB. O senhor chegou com o PV, que ainda hoje é considerado um partido pequeno. Acredita que essa sua opção partidária ajudou na sua eleição?

Marcelo Cechettini – A Sigla PV, é muito bem vista pela população. É um partido jovem, que sempre defendeu o meio ambiente. Eu acho que o partido é bem aceito pela sociedade de modo geral, uma vez que hoje está em alta a defesa da natureza e tudo o mais. De certa forma, meu nome sempre foi uma segunda opção para os eleitores moratenses, e credito isso à questão partidária. De certa forma, boa parte da população queria uma mudança, eu sentia isso quando andava pelas ruas, apesar do medo que tinham de de mudar. Então eu fiquei como uma segunda opção, quem não queria votar no PT ou PSDB, tinha minha candidatura como segunda opção. O PV é um partido da oposição consciente, sempre apoiando o governo, buscando soluções, buscando sempre somar. O nosso partido é muito bem visto, tanto pelos políticos, quanto pela população.

A realidade da população moratense é muito complicada, muitos políticos fizeram inúmeras promessas e não cumpriram, em menos de 10 anos a cidade teve 3 prefeitos, enfim, o que o senhor pretende fazer efetivamente para ser a diferença neste cenário?

Durante a campanha, as pessoas me perguntavam o que eu ia fazer e eu respondia que caso fosse eleito, iria melhorar aquilo que já existe, colocar para funcionar o que não funciona dentro da cidade. Os outros políticos apresentavam projetos mirabolantes, mas não apresentavam soluções para os serviços básicos já existentes. Nós temos tudo que outras cidades tem, temos a Prefeitura, temos Ação Social, temos Esporte, Escolas e creches, temos tudo isso, mas a população não tem sido atendida a contento, as coisas estavam funcionando de forma que a população não aprovava. A população já havia desistido do poder público, pois achavam que o mesmo não funcionava mais. Por isso que eu sempre disse que ia tentar fazer funcionar tudo aquilo que não funciona. Sempre fiz essa pergunta às pessoas com que eu conversava, e a resposta era sempre a mesma, quase nada funciona. Em uma cidade como a nossa, com poucos recursos, temos a obrigação de saber aplicar bem o que é recebido para poder atender toda a demanda  da população.

A cidade de Francisco Morato é uma das que menos arrecadam em toda a região. São cerca de 160 mil habitantes que vivem quase na linha da pobreza. Como é administrar uma prefeitura com poucos recursos e muitas contas para pagar?

Marcelo Cechettini – Quando não se tem dinheiro, tem que se ter criatividade. O povo moratense é igual a todo brasileiro, acaba dando seu jeito, tem jogo de cintura. O nosso grande desafio é melhorar a receita e como vamos fazer isso? Hoje temos muitas áreas públicas com ocupação irregular e vamos buscar regularizar essas áreas. Mesmo as pessoas que moram em áreas invadidas, elas querem os serviços básicos, como água encanada, iluminação, asfalto. Hoje mesmo conversei com uma senhora que me disse morar em uma área invadida e ela me disse que quer pagar imposto, para ter seu direito a uma escritura e também a todos os serviços da municipalidade. Nós iremos, de alguma forma, começar a legalizar essas áreas e assim, promover a cidadania aos moradores. Infelizmente existe muita burocracia para legalizar essas áreas e isso é um desafio, mas vamos em frente.

JPI – A política regional sempre se baseou no assistencialismo e infelizmente isso faz parte da cultura de boa parte da população. Como o senhor encara essa situação e como pretende mudar esse cenário?

Marcelo Cechettini – Uma das minhas prioridades é gerar emprego e renda para os moratenses.  Hoje quem depende do poder público, é justamente quem não está trabalhando, são os desempregados, ou seja, que não tem poder de compra, e acabam dependendo totalmente do poder público. E o que dá dignidade as pessoas é o trabalho. Eu acho que a política, sempre caminhou dando o peixe, deixando de ensinar a pescar. Eu vejo hoje que muitos programas sociais, que pretendem qualificar, oferecem cursos que não vão gerar renda e muito menos emprego. Por exemplo, cursos de bordados, pintura, artesanato, acabam não desenvolvendo a atividade econômica. Na minha opinião, deveriam ser criadas mais vagas em instituições de ensino, para profissionalizar de verdade a população. Aqui em Morato, por exemplo, devemos fortalecer nosso comércio, mas para melhorar o comércio, devemos melhorar o consumo e para isso, temos que arrumar emprego para os trabalhadores. Aqui em nossa cidade, devemos gerar vagas nas indústrias de manufatura e serviços. Nós temos esses dois fatores. Hoje temos mais vagas nas indústrias de serviços, pois ela depende mais de mão de obra. Infelizmente devido a ocupação do município, temos poucas áreas para a instalação de novas indústrias, e mesmo não tendo uma saída para uma rodovia, estamos viabilizando uma área para a instalação de um parque industrial e também buscando a instalação de uma unidade do SENAI, para nossa cidade, pois aí sim, iremos profissionalizar parte da nossa população, colocando assim, no mercado, profissionais qualificados, para que eles mesmo buscando emprego em outras cidades , tenham uma boa remuneração,. Além de que ao trazer um SENAI para cá, os moratenses não precisarão se deslocar daqui para outras cidades, diminuindo seus custos. Estou buscando recursos para isso, às vezes sou até criticado, mas se eu não for buscar esses recursos complica ainda mais as finanças da cidade. Para se ter uma ideia, a nossa arrecadação do IPTU, não paga nem a coleta de lixo da cidade. 

JPI – O transporte público foi sempre uma das maiores reivindicações dos moradores da nossa região. Em Morato não é diferente, o que o senhor pretende fazer para melhorar a vida das pessoas que utilizam o transporte público?

Neste ponto o governo do Estado tem feito alguns estudos para criar um corredor urbano intermunicipal. Temos conversado muito com representantes da EMTU, além do Secretario de Transporte Metropolitano, Jurandir Fernandes, que pretende melhorar nossa malha viária, pois em uma necessidade, por exemplo, quando tiver algum problema com o trem que serve à região, haja um rápido escoamento pelas rodovias. Outro ponto importante, é que já no próximo mês, a CPTM, vai voltar com as obras da nova estação. Hoje estamos em sintonia com a CPTM, EMTU e nossas conversas com o secretário de transportes metropolitano, apontam para uma grande evolução dos transportes em nossa região.

JPI – Passados quase 4 meses de sua posse, já deu para perceber qual o maior anseio da população?

Marcelo Cechettini – Bom, se você fizer essa pergunta para alguém que mora em uma rua que não tem luz ou asfalto, ela vai querer justamente isso. Se você fizer essa pergunta para alguém que precisa de creche para os filhos, com certeza vai ser isso que ela deseja. Eu como prefeito, entendo quem tenho que oferecer, luz para quem não tem, água para àqueles que ainda não tem, escolas e creches idem. Hoje para mim tudo isso são minhas prioridades. Temos que atender a todos na medida do possível.

JPI – Deixe aqui uma mensagem para o povo moratense.

Marcelo Cechettini – Ninguém está mais ansioso em resolver os problemas da cidade do que eu. Com todos que eu converso na rua, ou mesmo com a minha equipe de governo, dentro das possibilidades, eu estou fazendo o melhor possível, estamos buscando os recursos para poder atender a toda a população. Estamos trabalhando muito para a nossa cidade de Francisco Morato, e tenho consciência de que o povo que me elegeu, quer uma mudança, e eu estou aqui, lutando para atender à todos, e corresponder a essa mudança pela qual eles optaram ao me eleger.

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